quinta-feira, 16 de abril de 2009

NEGROS EM DESTAQUE

Exposição valoriza contribuição
de negros na cultura brasileira
EDUCAÇÃO — Para a professora Edna Rossin, figura do negro deve ser exaltada

Alunas colam na parede gravuras de negros de destaque, como Djavan
Uma exposição de trabalhos de alunos das 8ª série e do ensino médio da Escola Estadual “Tomáz Ortega Garcia” tenta resgatar a contribuição dos negros na cultura e na sociedade brasileira. A exposição “A cor está na alma”, que começou na sexta-feira, 24, prossegue neste domingo, no horário de funcionamento do projeto “Escola da Família”, e vai até terça-feira, 28, das 8h às 12h e das 14h às 18h.
A exposição foi desenvolvida a partir de um projeto da Secretaria Estadual da Educação, “Educando pela diferença para a igualdade”. De acordo com a professora de língua portuguesa, Edna Rossin, a escola optou por exaltar o negro na sociedade brasileira. “Muitas vezes, ele é visto como um coitado, subestimado pela sociedade”, explica a professora, lembrando que há nomes importantes na sociedade que são negros. “Nós queremos exaltar isso e a cultura africana, que contribuiu muito para a nossa cultura, mas que passa despercebida”, disse a professora.
Ela acredita que a importância do negro é camuflada pelo preconceito das pessoas. “Todos dizem que o racismo não existe, mas está na alma de muitas pessoas. O preconceituoso tem vergonha de assumir a posição”, avalia. Por outro lado, quem sofre com o preconceito também tem vergonha de assumir. “Quem discrimina não sente, mas quem sofre sente muito”, avalia. De acordo com ela, o fato de muitos alunos da escola serem afrodescendentes também influenciou no método adotado para o trabalho. “Queremos conscientizar a escola que o negro tem um papel importante na sociedade e temos que vê-lo como um cidadão”, defende Edna.
O projeto foi desenvolvido multidisciplinarmente. Nas aulas de artes, por exemplo, os alunos fizeram desenhos retratando ícones da cultura e da história negros, como Djavan, Pelé e Chica da Silva, ou fazendo releituras de gravuras e pinturas que retratam os afrodescendentes. O resultado são cerca de 75 gravuras e pinturas, além de frases que estimulam a reflexão sobre a importância e influência dos negros na sociedade.
Nas aulas de língua portuguesa, os alunos pesquisaram obras de autores negros ou que contribuíram para a reflexão da condição deles no Brasil. A aluna Carolina Mariano Carlota conta que eles estudaram obras literárias de Luís Gama, Cruz e Souza e, principalmente, Castro Alves — considerado o poeta dos negros. “Enquanto ele defendia a libertação dos escravos, a sociedade não via desigualdade porque consideravam que eles só existiam para servir. Castro Alves achava, já naquela época, que o o racismo era uma hipocrisia”, explica a aluna. Ela considera que as transposições de clássicos da literatura, como A Escrava Isaura e Sinhá Moça não conseguem transportar para as telas as condições dos negros descritas nos livros. Além disso, há ausência da abordagem dos primeiros direitos dos negros, como a Lei do Sexagenário (que libertava escravos com mais de 65 anos) e a Lei Áurea (que aboliu a escravidão).
O professor de história, Weverton de Castro Baptista, trabalhou a mensagem de racismo, explicando as formas como o preconceito é manifestado no mundo. Ele aponta que o preconceito ainda existe, mas de forma subjetiva. “Embora legalmente o racismo seja crime, esse preconceito está incutido na sociedade brasileira de uma forma oculta, dando pequenos sinais de existência. A nós, educadores, resta tentar promover nos alunos a sensibilização para uma sociedade igualitária e justa no futuro”, explica.

Lendo esse texto da internet, e a proposta das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnicos Raciais e para o Ensino da história e Cultura Afro-Brasileira e Africana que propõe, que sejam destacados as atuações de negros e seus descendentes em diferentes áreas do conhecimento, de situação profissional, de criação tecnológica e artística, de luta social.
Perceber e aceitar o mundo com suas diferenças é fundamental para a construção da identidade, tanto do ponto de vista pessoal quanto cultural e nacional
O conhecimento destes personagens históricos, como de tantos outros, permite ao aluno dar novos significados a sua história de vida e a história e à cultura brasileira, ao mesmo tempo em que contribui para desconstruir a ideologia de racismo,presente em comportamentos extremados, em preconceitos sentidos e em discriminações manifestadas em relação aos afro-descendentes, no Brasil e no mundo.

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